Pequenos prazeres. Pequenas conquistas. Momentos que ficam guardados na nossa memória.
A fotografia registra quase tudo. Menos o cheiro e ânsia de vômito dos drinks mal tomados misturados com coca-cola.
Quando tá tudo certo de um lado. Tá meio errado do outro.
“A felicidade é uma questão de percepção”, ouvi isso em algum lugar por aí. Fico me perguntando, o que isso exatamente quer dizer?
Acho que não depende disso ou aquilo, mas daquilo tudo junto e ao mesmo tempo.
Olho você dormir e fico feliz por um momento.
É engraçado pensar que há mais de três anos que te conheço.
E poucas vezes te agradeci por isso direito.
Mas isso, não é uma carta de amor.
É sobre nós, eu, eles e você. E sobre o que a gente vai fazer no próximo fim de semana?
É sobre, e agora? Eu não tenho grana!
É sobre, o que vamos fazer da nossa vida? E eu da minha, que não tenho espaço aqui.
Às vezes acho que uma hora ou outra tudo vai mudar.
Que vou virar astronauta, mochileiro ou cineasta popular.
Queria lembrar o que eu queria ser quando eu era criança.
Eu tinha uma brincadeira, meio esquisita, em que eu era dona de uma loja que vendia quadros, eram obras de pintores famosos.
Eu não pintada nada, apenas vendia os quadros. Mas eu pintava em outras brincadeiras também.
Hoje em dia, meus desenhos são péssimos.
Pinto o sete e olhe lá.
Mas que besteira tudo isso, eu queria fazer um texto e vomitei pedaços de sonhos, pedaços de mim, dele, pedaços de frustrações e alegrias.
Que nem para mim tem tanto sentido. Mas vai, finge que é poético, finge que é bonito.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Um louco abre a porta e diz:
terça-feira, 2 de abril de 2013
Um pequeno registro de SP
Quando eu era
adolescente li um livro chamado “O Homem que Conhecia As Mulheres”, do escritor
paulistano Marcelo Rubens Paiva. A obra é dividida em três partes, sendo que a
última é uma homenagem a São Paulo intitulada “I Love SP”. Foi daí que surgiu
uma vontade grande de conhecer São Paulo, mesmo sabendo de tantas coisas ruins
que aconteciam na cidade, como congestionamentos quilométricos, violência,
drogas e etc.
A oportunidade
surgiu com o Lollapalooza desde ano, que aconteceu no Jockey Club, como todo já
mundo sabe. O festival trouxe a minha banda favorita (ainda em atividade), e
por isso, eu fiz um super esforço para ir lá conferir a apresentação dos caras
do Pearl Jam e da performance impecável do Eddie Vedder. Fora os outros shows
de bandas que eu gosto muito como Franz Ferdinand, Queens Of The Stone Age, The
Hives, Black Keys, Two Door Cinema Club e outras. Além das nacionais Vanguart e
Criolo.
Cheguei a São
Paulo na quinta-feira, dia 28, véspera do feriado da Semana Santa. Aterrissei
no aeroporto do Guarulhos exatamente as 5h30 e fiquei por lá bestando até
amanhecer, na companhia do meu namorado, que foi se aventurar comigo. O tempo
estava ótimo, fazendo um friozinho de 15 graus, uma sensação muito agradável para
quem esta acostumada com o calor de Belém.
A missão era
chegar ao centro de São Paulo de metrô. Pegamos um ônibus, descemos na estação
Tatuapé e partimos em direção a República. No caminho avistamos a cidade e
prestamos atenção nos prédios gigantes, nas construções, fábricas e favelas.
Achei a cidade bonita e, além disso, limpa comparada a Belém. Aliás, é triste
falar isso, mas parece que toda a cidade é mais limpa que Belém. Ok, mas pegar
o metrô de São Paulo foi assustador, ao mesmo tempo emocionante. As
pessoas andavam muito rápidas e não olhavam umas para as outras. Parece que as
pessoas lá estão sempre apressadas e indo para um lugar muito importante.
Compramos
bilhetes, só que não sabíamos nem como passar na roleta, foi deprimente porque
tivemos que perguntar como era... Entramos no metrô finalmente e foi quando eu
participei da cena mais assustadora de toda a minha vida: uma multidão de
pessoas entrando no metrô ao mesmo tempo, e nós espremendo completamente. E eu que
pensei que o ônibus perto de casa era lotado! Só que pelo menos em São Paulo
faz frio e não ficamos suando que nem um burro de carga.
Chegamos ao
hotel e logo saímos para conhecer os lugares mais próximos. Conheci o Teatro
Municipal, o shopping Light, a Praça Ramos, a Igreja da Sé, e o mais legal de
todos: Galeria do Rock. Um shopping com cinco andares só com artigos de rock de
todos os estilos, lojas de tatuagens, discos e vinis. Seria mais legal ainda se
eu tivesse grana para comprar coisas por lá! São Paulo é bonita. Tem prédios
enormes. Uma arquitetura antiga que inebria todo o centro histórico e que eu fiquei
completamente apaixonada. Tinha vontade de ficar um tempão olhando aqueles
prédios, como se fosse uma fotografia.
Tive a
experiência de andar pelo maior centro comercial do Brasil, que é a 25 de
março. Rua comandada por muitos asiáticos. Foi meio estressante andar por lá porque
tem muita gente gritando no seu ouvido e você tem que perder o dia inteiro ali
comprando coisas. Também fui à rua Santa Ifigênia, o paraíso das coisas eletrônicas
e lá o meu irmão (com a minha ajuda) comprou uma preciosidade, mais conhecida
como “meu sonho de consumo”: uma Cannon T3i. O preço estava bem mais barato que
em Belém (óbvio).
A noite de SP é
mais encantadora ainda. A rua Augusta é enorme e cheia de bares e boates. Fui a
uma festa na casa de show “Beco da Augusta”, que era open bar e por isso tinha
muita gente. Pegamos uma fila enorme para entrar. Sampa também é a cidade das
filas. Tem muitos outros lugares que dá para se divertir em Sampa como a Vila
Madalena, mas não cheguei a conhecer. E a Avenida Paulista? Nossa, muito linda.
A impressão que
eu tive é que São Paulo tem tudo. Uma cidade que ferve cultura, cinema, teatro,
música. Pareceu-me também a capital do rock’n roll, com muitas pessoas tatuadas
e estilosas, não sei se isso era por causa do Lollapalooza. SP não tem identidade, mas isso já identifica
muita coisa. SP também é a capital dos mendigos, pedintes, pichações...
Parece que
a cidade paga um preço por ter tudo. Esse foi o meu registro de cinco dias que
estive em São Paulo. Espero muito voltar por lá mais vezes. E agora sim, posso
dizer que concordo com o que meu querido escritor Rubens Paiva disse: São Paulo é
pai d’égua mesmo! Não exatamente com essas palavras...
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Lugar(es)
Moro no mesmo lugar há mais de
dez anos. Antes minha residência era no centro da cidade, na Generalíssimo
Deodoro, depois mudei ainda criança para um lugar completamente novo, e
considerado "distante". O bairro foi desmembrado do Bengui para
tornar-se Mangueirão (próximo ao principal estádio esportivo da cidade de
Belém). Meus pais compraram um apartamento em um conjunto chamado Xavante II, que
é localizado dentro de uma área chamada Catalina.
Por causa da mudança tive também
que trocar de colégio, de hábitos e de amigos. Mas a adaptação foi até rápida.
Eu gostava da minha escola, o Madre Celeste. No Catalina também construí
amizades, que tenho até hoje. Foi lá também que me transformei de uma garotinha
pateta, em uma adolescente roqueira e agora adentrando a fase adulta (ainda
pateta, infelizmente). Foi lá que eu descobri o quanto o transporte público da
cidade é asqueroso, e acho que adquiri uma falta e paciência nociva por causa
disso. Quer dizer, nenhum ônibus que passava próximo a minha casa prestava até
que, este ano, surgiu um tal "Icoaraci Centro" que atravessa a
Avenida Independência (Centenário), e tornou a minha vida um pouco melhor. Fico
me perguntando que mel é esse que tem Icoaraci? Parece que tem transporte todo
tempo para aquelas bandas. Só lá também.
A Avenida Independência
beneficiou várias pessoas que tem carro, porque é um trajeto que te leva ao
centro da cidade sem precisar passar pela monstruosa Almirante Barroso. Mas
para os pedestres e pobres que andam de ônibus é um perigo. Os carros passam em
altíssima velocidade, não respeitam o limite de 60 km de velocidade, e muito
menos a faixa "cidadã". Sendo que uma das faixas foi colocada em um
lugar completamente inóspito, que ninguém passa. E o lugar onde o fluxo de
pessoas que atravessam é grande, não tem nada, sinal de trânsito, passarela,
nada. Depois que ocorreu uma série de mortes, sendo a última, a de um jovem
trabalhador moto taxista, atingido por um carro, a CTBEL agora marca presença
por lá. Coisa de Brasil, que só funciona depois da tragédia.
Transformação
É engraçado como a cidade muda.
Não existia a Independência quando me mudei. Ela foi construída, duplicada e criaram túneis e viadutos. Ou seja, o lugar que eu morava antes
não existe mais, dando vida a outro lugar, completamente diferente. Agora está
sendo feita a construção de um Shopping Center na mesma Avenida, que se chamará
Bosque Shopping Belém. Dizem que será o mais chique da cidade.
Posso dizer também que o lugar
onde moro é sinônimo de um paradoxo. Quando cheguei aqui, ao lado do meu
conjunto tinha um campo enorme, como se fosse um "areal". Lá o meu irmão jogava
bola e eu atravessava para comprar pão, na padaria do outro lado. Depois esse
campo foi invadido, e virou uma realidade muito comum de Belém: uma invasão
conhecida como Pantanal (não me pergunte o porquê). Nunca foram lá tirar
ninguém, e agora o lugar tem casas de alvenaria, ruas, postes e tudo mais.
Depois disso, em frente ao meu conjunto, criaram um residencial, onde moram
pessoas bem diferentes dessas lá do Pantas. Da janela do meu apartamento avisto
as casas luxuosas, enormes e modernas do Água Cristal, um condomínio fechado,
que deve ter todo o lazer que alguém pediu a Deus.
Vivo em um lugar que tem vários
lugares dentro. Um lugar que anseia por esperança, que cresceu da forma que deu, que tem pessoas humildes, que tem violência, mas que também tem pessoas
honestas. Outro lugar de gente classuda, um lugar de gente que a gente nem vê,
de pessoas que se aprisionam em uma "cadeia de luxo" e pertencem a
elite torpe dessa cidade. Este é o lugar que eu moro, e que representa muito
bem as transformações desta Belém que muda, aos trancos e barrancos,
privilegiando sempre quem tem mais grana, e quem sabe, os que não têm.
Aí, lembro
aquela música do Engenheiro do Hawaii que diz assim "Nas grandes cidades
de um país tão violento. Os muros e as grades nos protegem de quase nada. Mas o
quase tudo, quase sempre é quase nada. E nada nos protegem de uma vida sem
sentido". (Muros e Grades). Acho que diz muito.
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