Raissa Lennon

Raissa Lennon
"siga seus próprios sonhos, porque ninguém pode viver o sonho do outro"

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O dia ruim de Lia

Chegou na Universidade fumando um cigarro, o dia começara péssimo, pegou um
ônibus errado e desumanamente lotado, parou no lado oposto de seu
caminho, desceu na Júlio Cézar e entrou em qualquer coletivo em direção
à Almirante Barroso, o congestionamento estava infernal – o trânsito de
Belém piorava a cada dia – o mundo um dia vai parar de tanto carro,
pensou.

A
aula é de história da arte, uma de suas matérias prediletas, mas Van
Gogh naquele momento não fazia nenhum sentido. Ela fez questão de ser
insurpotável, contou para os amigos o que havia acontecido e que queria
muito, do fundo de seu coração mandar alguém se fuder. Mas infelizmente
ninguém quis se desentender com ela, pois, justo naquele dia todos
pareciam felizes, um colega apenas comentou - ela ta afim de ser chata
hoje. Ela fechou a cara com raiva por saber que era verdade.

No
entanto, o verdadeiro motivo de sua chatisse, não era o ônibus errado,
nem o trânsito infernal, muito menos o comentário de seu colega. Há
muito ela estava envolvida em uma relação difícil com seu namorado,
talvez ex daqui a pouco tempo, vinham brigando muito, ele cada vez mais
frio ,ela cada vez mais insegura. Estavam naquele estágio de terminar,
não resistir, e voltar atrás da decisão, um sempre acusando o outro
pelas brigas, constantes e sem sentido, não sabiam o que fazer, se
amavam, mas aquela situação se tornará intragavél. Não via a hora de
tudo acabar bem.

O
dia era sexta-feira, e ela pensou no fim de semana que estava por
chegar, passava a semana inteira pensando no fim de semana, e de
repende não sentia-se nem um pouco empolgada para ele. Tinha as mesmas
opções de sempre, beber umas cervejas com os amigos, assistir um filme
pós-moderno sozinha, concluir seus artigos para a faculdade e por fim,
brigar com seu namorado por alguma coisa banal. Desejou ir para um
lugar longe, onde tivesse alguma praia bonita, muito sol e essas coisas
felizes, queria conhecer pessoas novas, um lugar novo, queria andar de
avião, nunca tinha andado de avião, deve ser legal voar – pensou.

- Lia ! A aula acabou.. vamo?

De volta a realidade.
Não se pode voar com os pés no chão...

* retrato por Winnie Rodrigues.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Aos 9 anos.


Quando eu tinha 9 anos, pensava que a vida seria muito mais fácil,
pensava que os relacionamentos não seriam assim, tão complicados.
Quando eu tinha 9 anos brincava e teorizava sobre o meu mundo,
queria ser desenhista no futuro, e esboçava alguns barquinhos e aviões no papel.
Quando eu tinha 9 anos meu mundo, era azul da cor do céu.
Quando eu tinha 9 anos idealizava uma vida cheia de aventuras, e histórias surreais.
Depois dos 9 anos, comecei a conhecer uma coisa que chamam de realidade.
E aprendi que nada será como antes, nem melhor, nem pior, apenas diferente.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Leila em: O homem da faca grande!

Existem coisas na vida que sabemos, que nunca devemos fazer, mas fazemos, talvez por auto confiança, libertinagem, transgressão, ou por pura e simplesmente burrice mesmo.
Todo mundo sabe que é insano sair à noite, em um lugar que você não conhece, perigoso e deserto, e ainda por cima levando coisas de valor a reboque.
Mas Leila sabendo de tudo isso saiu com seu amigo para procurar bebida, nessas condições, mesmo sabendo que não iam encontrar, mesmo sabendo que era perigoso, mesmo sabendo de tudo, Leila burramente saiu.
Confirmada a inexistência de algum bar aberto numa hora daquelas, voltaram para o hotel onde estavam.
No caminho de volta, a menina avista um homem de bicicleta vindo em sua direção e pensa: fudeu!
Tentei encontrar uma palavra culta, politicamente correta para denotar a interpretação acertiva de Leila em relação ao perigo, mas não consegui.
O homem desce da bicicleta com uma faca grande - na verdade era um terçado - mas na hora Leila pensou que era uma faca grande, e imaginou aquela arma perfurando seu corpo, como uma típica cena de filme de terror.
Seu amigo gritou: - corre!
E saiu em disparada, mas a menina paralisou.
- Passa o celular! Ele disse.
Essa frase é clássica entre os assaltantes, Leila como era perito nessa assunto já sabia bem disso, é incrível como em situações de risco pensamos merda em segundos.
''Esse cara poderia trocar o enredo, mudar a frase, todo mundo diz a mesma coisa, meu celular nem vale muito...'' pensa Leila.
A jovem sente o celular no bolso e diz:
- não tenho celular, só tenho essas moedas aqui...
- manda! E desculpa aí tá?...
''Desculpa aí? Que tipo de ladrão pede desculpa?
Que merda de ladrão é esse que me dá o maior susto da minha vida, que faz eu pensar em todos os crimes ediondos da humanidade, e que quase estraga meu fim de semana fala: desculpa aí tá?... será que ele pensou que eu ia dizer:
- desculpado mano, tá desculpado...''
Não sei porque mas ela ficou com muita raiva, da porra do desculpa aí.
Leila nervosa/puta/triste/com ódio/com remorso e todas essas coisas juntas, falou enfurecida para seu amigo:
- Eu não disse que não era pra gente sair dessa merda de hotel!
Realmente ela disse, mas não conseguiu se achar menos burra por isso.
Entrou no quarto, chorou, rezou e agradeceu por estar viva.
''Aquele homem poderia fazer qualquer coisa comigo, mas não fez''
- Deus existe mesmo... Disse baixinho quase dormindo.

Companheiros