Raissa Lennon

Raissa Lennon
"siga seus próprios sonhos, porque ninguém pode viver o sonho do outro"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Em dias de chuva

Em dias de chuva é fácil chorar.
É fácil lembrar de pessoas especiais
e de como é bom tentar não sentir frio nos braços de alguém.
Em dias de chuva você torce para não estar sozinho.
Ou não, você quer mesmo estar sozinho para ler aquele livro bom, que você vem adiando a tempos por falta de disposição.
E talvez, assistir aquela comédia romântica, só para variar um pouco do seus filmes de suspense...
Em dias de chuva é bom não sair de casa para não estragar o cabelo, e ficar reclamando da cidade e de sua sombrinha que sempre te deixa na mão em dias de sufoco.
Ou melhor, em dias de chuva o bom mesmo é aproveitar para tomar banho ao ar livre, pular feito uma criança e receber a energia daquela água sagrada.
Em dias de chuva, eu fico olhando as poças aumentando com os pingos, e ouço o seu barulho peculiar, sem pensar em mais nada.

* retrato por Winnie Rodrigues

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Dentro do quarto

Um quarto certamente diz muita coisa sobre a pessoa que nele habita.
O meu por exemplo diz muito sobre mim, além de guardar segredos que nunca vão ser revelados a quem não se deve, e cada elemento que o compõe conta uma história.
Por exemplo, tenho duas imagens pregadas na porta de cunho um tanto quanto comunista: a primeira do revolucionário Che Guevara, e um discurso que ele fez em 1964, e logo em baixo o Manifesto do Partido Comunista com a forma do rosto de Marx. Comprei junto com meu irmão em uma feira do livro, a muito tempo atrás.
Tenho também um daqueles quadros de 15 anos com assinaturas ao redor de uma foto, que estou com cara de pateta, um sorriso besta, e uma blusa rosa, que por sinal odeio rosa, portanto odeio a foto.
Tenho um pôster grande dos Beatles que roubei da coleção do papai (beatlemaníaco de carteirinha), e três pequenos cartazes de filmes: "Boa Noite, Boa Sorte", "(500) dias com ela", e o mais legal de todos - "Laranja Mecânica", que ganhei de um amigo recentemente. Acho que todos que gostam de filmes, adoram cartazes de cinema.
Além, de uma estante com livros, revistas, papéis velhos, cd's e dv's, ursos - na verdade não gosto de usos, tenho carinho só por dois deles: o Billy, um pequeno macaco com uma cara estranha, e a Lia , a ursa que ganhei do meu ex namorado.
Por fim, é um ambiente bem simplório, não tem tv, nem computador, nem som (e isso sim me deixa triste, afinal a música é a única coisa capaz de libertar a alma), e enquanto escrevia esse texto até meu ventilador quebrou.... acredita? Triste.
Por outro lado tem umas coisas bem legais, como um quadro magnético, que sinceramente não sei como veio parar em minha casa, e um banheiro, que realmente é muito útil, nossa é muuuuuito útil. xD
Além desses objetos inerente aos olhos, ele possui uma aurea que só eu conheço, e algumas pessoas que compartilharam momentos marcantes comigo. Dias inesquecíveis e loucos. Nele vivi momentos de prazer, alegria, tristeza, solidão, entre outros tantos sentimentos.
Ai se aquelas paredes falassem... --'

* E você, o que mais gosta no seu quarto? Ele possui alguma coisa estranha, interessante, maluca? Algo marcante já aconteceu nele? Deixe um 'comente' pra mim, adoraria conhecer uma pouco de seu mundinho particular. =]

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O dia ruim de Lia

Chegou na Universidade fumando um cigarro, o dia começara péssimo, pegou um
ônibus errado e desumanamente lotado, parou no lado oposto de seu
caminho, desceu na Júlio Cézar e entrou em qualquer coletivo em direção
à Almirante Barroso, o congestionamento estava infernal – o trânsito de
Belém piorava a cada dia – o mundo um dia vai parar de tanto carro,
pensou.

A
aula é de história da arte, uma de suas matérias prediletas, mas Van
Gogh naquele momento não fazia nenhum sentido. Ela fez questão de ser
insurpotável, contou para os amigos o que havia acontecido e que queria
muito, do fundo de seu coração mandar alguém se fuder. Mas infelizmente
ninguém quis se desentender com ela, pois, justo naquele dia todos
pareciam felizes, um colega apenas comentou - ela ta afim de ser chata
hoje. Ela fechou a cara com raiva por saber que era verdade.

No
entanto, o verdadeiro motivo de sua chatisse, não era o ônibus errado,
nem o trânsito infernal, muito menos o comentário de seu colega. Há
muito ela estava envolvida em uma relação difícil com seu namorado,
talvez ex daqui a pouco tempo, vinham brigando muito, ele cada vez mais
frio ,ela cada vez mais insegura. Estavam naquele estágio de terminar,
não resistir, e voltar atrás da decisão, um sempre acusando o outro
pelas brigas, constantes e sem sentido, não sabiam o que fazer, se
amavam, mas aquela situação se tornará intragavél. Não via a hora de
tudo acabar bem.

O
dia era sexta-feira, e ela pensou no fim de semana que estava por
chegar, passava a semana inteira pensando no fim de semana, e de
repende não sentia-se nem um pouco empolgada para ele. Tinha as mesmas
opções de sempre, beber umas cervejas com os amigos, assistir um filme
pós-moderno sozinha, concluir seus artigos para a faculdade e por fim,
brigar com seu namorado por alguma coisa banal. Desejou ir para um
lugar longe, onde tivesse alguma praia bonita, muito sol e essas coisas
felizes, queria conhecer pessoas novas, um lugar novo, queria andar de
avião, nunca tinha andado de avião, deve ser legal voar – pensou.

- Lia ! A aula acabou.. vamo?

De volta a realidade.
Não se pode voar com os pés no chão...

* retrato por Winnie Rodrigues.

Companheiros