Raissa Lennon

Raissa Lennon
"siga seus próprios sonhos, porque ninguém pode viver o sonho do outro"

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Recordações em dia de Natal


Natal. Para mim, particularmente, tem gosto de recordação e saudade.Lembro de minha infância e do meu avô Leandro.
Tudo era diferente, a família se reunia em sua casa. Estávamos onde ele estivesse.

Na noite de natal tinha oração e discurso, não gostava de falar porque sempre me emocionava e chorava.
Sempre ganhava um livro de meu pai e começava a ler na madrugada do dia 25 mesmo. Aquilo era a minha magia, o meu encantamento.

Lembro de uma vez que pedi o livro do Harry Potter de presente, a outora lançara o quinto da série se eu não me engano. No carro indo à casa de meu avô, meu pai disse que não pôde comprar o livro. Eu criança, chorei, esperneei, fiquei com raiva. Tudo um blefe, pois na noite de natal ganhei o livro que tanto desejava.


Hoje entendo a futilidade do meu ato. As crianças crescem com essa idéia de que natal é sinônimo do Papai Noel que lhe dará presentes. O que não passa da construção ideológica do homem individualista, que precisa a todo custo se reafirmar naquilo que é material.


Natal. Nascimento de Jesus. Que pregou justamente o contrário de tudo isso, divulgou a humildade, a simplicidade, a compaixão...
Natal é união, afeto, crescimento pessoal e renascimento do nosso próprio espírito. E que esse espírito de confraternização e irmandade não se perca nos próximos dias do ano.

Natal é a afirmação do amor que tenho por meus entes queridos, amigos e familiares.

É também, contradição em dia de festa, pois agradeço por tudo que tenho, mas entristeço-me por compreender que muitos não têm nem o essencial para viver.
É, portanto, a esperança de dias melhores a todas as pessoas, sem distinção.

Pedimos tanto por paz, amor, saúde. Mas o que fazemos para concretizar nossos ideais? Que este natal seja muito mais que felicitações, seja a tentativa de mudar nossos próprios atos. Mudar o destino de quem precisa. Mudar nossas atitudes.

Que neste natal a paz reine em nossos corações. E como diz Ivan Lins em sua música “Um Feliz Natal e que Deus lhe traga um próspero ano e felicidade’’.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

À la Chico Buarque

Ainda eis vivo em mim. Fato
Talvez descaso da minha personalidade, por não querer me obedecer
E porque vejo beleza na tristeza. Coisa besta, culpa minha
Tento encontrar vida em pequenos prazeres, quase sempre consigo e fico feliz
É porque as vezes, estamos meio assim,
sei lá
À la Chico Buarque
"tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
a gente estancou de repende, ou foi o mundo então que cresceu?"
e assim vai. .. a roda viva da vida
mas "sei que um dia tudo fica em seu lugar" por sinal, também é música de uma banda querida de uns amigos meus
E assim a gente vai levando,
com esse meio de saída, e distração: a música
Pois se o amor é a medida das coisas,
A música é a forma mais bonita de transmiti-lo...

* Retrato por Winnie Rodrigues

sábado, 19 de dezembro de 2009

Vá de Bike


Diálogos construtivos I


Em tardes de tédio em que meu irmão está com tempo livre, geralmente costumamos conversar sobre assuntos diversos, na maioria das vezes sobre política, indústria cultural, música independente, capitalismo entre outras pautas.
Certo dia, em meio a risos e piadas começamos uma discussão sobre a imposição dos valores materiais sobre o ser humano no mundo atual, e ele comentava a diferença de uma pessoa que possui um carro e outra que não possui, “carro é sinônimo de status, quanto melhor for seu carro, melhor você será considerado” ele disse.
Ou seja, nossa personalidade, nosso     “SER” esta vinculado a uma maquina, a um produto, a um objeto, e nem nos damos conta do quão triste isso representa. Meu irmão certamente é um jovem incomum, agora ele “botou” na cabeça que quer comprar um fusca, só para contrariar a ideologia de ter o carro do ano.
Isso pode parecer besteira, mas influência diretamente em nossa vida prática. A MTV está com uma propaganda que diz “o aquecimento é global, mas o congestionamento é local”, troque seu carro por uma bicicleta, skate, patins, metrô, ajudem a salvar o planeta! Essa é a mensagem. No entanto, já perdi as contas de quantos comerciais de carro assisti enquanto elaborava esse texto.

A questão é bem mais complexa que a mensagem. Por exemplo, minha casa é relativamente perto da Universidade em que estudo (UNAMA), meus pais tem carro, mas só de vez em quando me dão carona, e no máximo até o entroncamento. É assim: necessito de dois ônibus para ir, dois para voltar da UNAMA, pois, apesar de perto, não tem absolutamente nenhum coletivo que me leve direto ao meu destino. Como todos sabem o transporte público de Belém do Pará não é nenhum modelo de perfeição, longe disso, é indigesto, pífio, ridículo.
Particularmente no lugar onde moro, consegue ser pior que o normal, de manhã o ônibus vai estupidamente lotado, se você conseguir respirar esta no lucro. Hoje em dia me recuso a entrar num coletivo nesse estado, pois, me sentia como um animal enjaulado, uma “coisa” que não vale nada. Agora, utilizo outra coisa conflitante em nossa cidade: a combe, chamados de “perueiros” não são regulamentados, e os automóveis se encontram em péssimas condições de uso.
Ha muito tempo estava pensando em uma solução para minha problemática e em como poderia ajudar um pouco a melhorar o planeta. E cheguei à conclusão que a BICICLETA pode ser uma boa ajuda nessa hora. A magrela não polui o ar, não congestiona o trânsito, além de melhorar o físico. Nunca fui da linha geração saúde, pelo contrário, sou sedentária, me alimento mal e tenho vícios mortais, mas é sempre bom esta em paz com o próprio corpo.
Como disse, não é tão simples assim, o trânsito de Belém é um caos, o entroncamento é uma desordem, provavelmente a pior obra que já fizeram por aqui, isso se a rotatória da Júlio Cezar não vencer essa disputa. O problema de andar de bike é que é perigoso, tem o calor, a chuva, o sol, o medo de morrer... E assim vai.
Infelizmente, ciclista em Belém é sinônimo de bandido, ou de gente que não tem grana pra comprar uma moto, ou carro, enfim. Nos países desenvolvidos, executivos trocam seus carros por bicicletas, por que lá o governo apóia, tem ciclovias, respeito e conscientização. O mundo seria bem melhor se todos os países adotassem essa causa.

Não estou dizendo para abandonar o conforto de seu veículo sempre, só não ser como minha mãe que vai até ao banheiro de carro. Bicicleta é aconselhável para distancias até 7 kilômetros, o que equivale a no máximo 30 minutos de viagem, a uma velocidade média de 15 km/h. Em um engarrafamento em São Paulo os automóveis não chegam nem a 9 km/h. Viu só como a pequeninha tem suas vantagens?
No mais, se você não esta nem um pouco convencido e acha tudo isso uma babaquice, compreendo seu ceticismo, desde pequenos somos influenciados pela indústria, pela TV, por nossos pais. Com um carro você “pega” mulher, você mostra para os outros que está bem de vida, que sua posição social é boa. É bom dirigir, pretendo tirar minha carteira paro ano por sinal, e quando puder comprarei um carro, fruto do meu esforço, do meu trabalho. Mas fico pensando que seria bom, não utilizá-lo sempre.
  
Em todo caso, elaborei uma listinha com 10 motivos para usar a bike, aqui vão eles:

1.      Não polui o ar.
2.      Melhora o trânsito.
3.      Você respira o ar mais limpo. Quem esta dentro de um carro, ou ônibus respira 30% mais poluição que um ciclista ou pedestre.
4.      É seguro quanto mais o trânsito estiver congestionado. Em uma cidade como Belém, isso não é muito difícil, não é mesmo?
5.      É econômico. Não precisa gastar grana com passagem, nem com gasolina.
6.      Melhora o físico e a saúde. Você não precisa gastar dinheiro com academia pra ficar com pernas grossas.
7.      Você se sente mais livre.
8.      É legal sentir o vento bater no rosto.
9.      Você não corre riscos de assalto. Vão pensar que você é pobre e não tem nada de valor, ou vão pensar que você é o bandido mesmo.
10.  Seja diferente. Vá de bike ;)

Em 2010 mude seus hábitos, plante uma árvore, recicle seu lixo, não desperdice a água, ou vá de bike.

Quem sabe paro ano eu perco o medo e chego à Universidade com a magrela, não estranhem meus amigos de turma, agora vocês já sabem que é por uma boa causa. ;)

Companheiros