Raissa Lennon

Raissa Lennon
"siga seus próprios sonhos, porque ninguém pode viver o sonho do outro"

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Eu nunca quis ser jornalista

Eu nunca quis ser jornalista. Mas desde que entrei no curso, eu nunca quis não ser. Antes, odiava a mídia. Achava manipuladora, mentirosa, falsa e covarde. Mas sabe aquele amor bandido que nasce da implicância? Criticava tanto a mídia, que queria ver porque ela era assim, tão alienante. Eu li uma vez do escritor e intelectual Paulo Freire, que se você quer mudar de verdade alguma coisa, integre-se à ela. Sonho besta esse não? Querer mudar alguma coisa, quanta pretensão! Mas na verdade é isso mesmo, temos que pelo menos fazer nosso serviço direito e melhorar o que esta a nossa volta. A Universidade me enriqueceu neste sentido, não aprendi a fazer jornalismo lá, isso não. Tu só aprende a fazer jornalismo e entender os processos midiáticos na prática. Não adianta. Mas a Universidade te abre a mente, mesmo que alguns achem que ela não serve para nada. Sim, uma pessoa muda muito suas concepções depois que sai de um ensino superior. 

Hoje me vejo prestes a me formar em jornalismo, uma profissão tão complexa de lidar. É um sentimento dúbio de amor e ódio. Hoje eu nem sei o que o futuro me espera, trabalhei em dois jornais impressos, uma assessoria e um site. Por muitas vezes tive vontade de desistir e me perguntava: o que eu estou fazendo aqui? Mas daí, o jornalismo cultural me flechou e já era. Eu sempre brinco que validei meu atestado de pobreza por três vezes: primeiro que escolhi ser jornalista, segundo que me encaminhei para o jornalismo impresso e terceiro que cambei para o jornalismo cultural. É  muita burrice para uma pessoa só. Ou seja, não gente, provavelmente vocês não vão me ver na televisão. Ok? 

Mas independente disso, eu tenho um sonho! (I have a dream!). E esse sonho é uma coisa que é quase genética, que é seguir a área da docência, assim como meus pais e boa parte da minha família. Vou ter que percorrer um bom bocado ainda para realiza-lo. Mas sonhar é de graça, então vamos lá. Pronto, agora vocês vão dizer que eu assinei meu atestado de pobreza quatro vezes. Mas é isso mesmo. Amor é assim, quando você é picado por ele, nada há de se fazer. Só peço uma coisa para vocês, meus poucos leitores. Desejem-me sorte. Eu vou precisar. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Buscopan

Estou definhando, caindo, chorando... Não consigo viver, não consigo morrer, não consigo amar. Não consigo me levantar, traz agora o meu buscopan para cá.
Não consigo comer, nem respirar, nem ver o carnaval passar. Nem consigo estudar, nem dançar, nem namorar, nem me animar. Traz, por favor, meu buscopan pra cá. 
Não consigo ficar bem, nem curtir a "vibe", nem ficar de boa, nem sair para passear. Não consigo ser legal contigo, não consigo te amar, não consigo dormir, nem acordar. Não esquece - eu te peço - de trazer eu meu buscopan para cá. 
Estou presa em mim mesma, sedenta de saúde e ar. Estou meio tonta, meio down, meio sem pensar. Estou doente, maluca, molenga. Este mês não quero nada, nem água, só quero um remédio para essa dor passar. 

sábado, 15 de setembro de 2012

Tiê e a nova safra da música alternativa

Tiê - Teatro Gasômetro, setembro de 2012
A primeira vez que eu ouvi Tiê foi uma música chamada "Passarinho", apresentada por uma amiga minha. Essa canção por sinal, foi a que a cantora abriu seu show em Belém na noite de ontem, dia 14, no Teatro Gasômetro. Na época, achei chata, lenta demais, sem graça, e não me dei ao trabalho de prestar atenção na letra direito. Estava ouvindo mais rock'in roll e aquilo não fazia sentido nenhum para mim. Por isso, deixei a Tiê pra lá, e não me interessei. 

Depois ouvi por aí uma música chamada "Sweet Jardim", que diz mais ou menos assim, "plantei no jardim um sonho bom, mostrei meus espinhos pra você..." Uma linda canção que combinou perfeitamente com a voz adocicada da cantora. Fiquei triste, aliás, porque ela deixou a música fora do repertório do show. Enfim, certo dia ganhei de presente em um CD a música "Dois", que poderia embalar o amor de qualquer casal. 

Ontem, ela tocou pela primeira vez em Belém, por convite da Secult, para divulgar o seu segundo álbum: "A coruja e o coração". Depois de fazer uma matéria sobre o show para o jornal O Liberal, resolvi me aventurar no sentimentalismo da Tiê. Grávida de seu segundo filho, ela foi a mais adorável possível. Depois de duas músicas sem dar boa noite ao público (até pensei que ela ia dar uma de Bob Dylan), Tiê começou a se comunicar a se mostrar para os belenenses. E se mostrou uma verdadeira "Stand up comedy". Ela tirou onda com o Michel Teló, dançou "Eu quero Tchu, eu quero Tchá", fez graça com ela mesma quando fez a dancinha do "seu boneco". Fez piada com o calor de Belém, contou momentos engraçados com o marido, brincou com a platéia. Foi adorável e linda. 

Tiê tocou a música dos seus dois álbuns, entre elas: "Dois", "A bailarina e o astronauta", "Te quero" e terminou com a lindíssima "Assinado Eu". A cantora também tocou as três versões que integrou o seu novo CD, "Mapa-Mundi", do talentosíssimo Thiago Pethit, que foi super elogiado por ela no show. Essa música inclusive é mais bonita na voz dela, do que na do Thiago. Também cantou "Só sei dançar com você", da não menos talentosa Tulipa Ruiz. Mas o ponto alto da noite foi quando ela contou a inusitada versão que fez para "Você não vale nada" (mais eu gosto de você) - hino do forró universitário. 
Ponto alto da noite: Tiê cantando "Você não vale nada"

Com uma versão mais elegante e meio "tango" do hit grudento, Tiê convidou as cantoras paraenses (que abriram seu show) Nana Reis e Juliana Sinimbu (só faltou a Joelma Kláudia, que teve que ir embora antes), para acompanha-la. Também pediu a ajuda para a platéia, que cantou em coro "você não vale nada mais eu gosto de você". Tiê tirou onda: "Bora lá gente, todo mundo tem um..(uma pessoa que queria dizer isso)". Acabou o show e as pessoas saíram satisfeitas. O chato, foi que ela (grávida) teve que fazer dois shows seguidos - não sei porque dessa ideia absurda - e para completar, uma pessoa do Teatro Gasômetro ficou expulsando as pessoas quando terminou o primeiro show.

Elogios a parte, o que importa é que a Tiê representa uma nova fase da música alternativa e paulistana. Ela, junto com o Thiago Pethit e Tupila Ruiz, criam juntos, escrevem letras, fazem grandes discos, representam um cenário novo, de jovens elegantes que fazem canções universais, que não representam nada, além deles mesmos e dos sentimentos dos próprios seres-humanos. Nesse mundo ainda acrescenta-se os mato-grossenses da banda Vanguart, que de todos é o meu preferido, e o Cícero que com as suas "Canções de apartamento" embalou o momento em muitos apartamentos por aí. 

Acho que quem fala que a música boa morreu, esta precisando olhar com mais atenção para o cenário. Pois, qualquer um desses artistas vale a pena ir aos shows, baixar músicas, comprar discos e se apaixonar. Para conhecer mais sobre a Tiê: http://www.tiemusica.com/


Tiê, neste show intimista, estava acompanhada apenas por seu guitarrista  

Companheiros