Raissa Lennon

Raissa Lennon
"siga seus próprios sonhos, porque ninguém pode viver o sonho do outro"

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Acordei

Acordei e queria dizer que acordei de um sonho bom, mas não é verdade, tive alguns pesadelos que não costumo lembrar.
Acordei e queria dizer que estou livre para caminhar por entre os vales, mas ainda estou preso no incomodo do cômodo.
Acordei, e não sei se agradeço em estar vivo, ou sofro um pouco mais com essa possibilidade.
Acordei e nem lembro como dormi, apenas fechei os olhos e depois disso tudo estava diferente.
Acordei e quem dera voltar para ontem, e poder mudar aquilo que hoje me envergonho.
Olhei pela janela e o tempo estava duro, e será assim até outubro segundo a meteorologia do meu coração.
Acordei, e queria dizer que não estou bem, mas seria egoísmo da minha parte, então, prefiro não dizer nada.

*imagem do meu arquivo pessoal, feita em julho de 2014, na Baía do Sol (Mosqueiro).

Dilma, John e o machismo

Sinto-me extremamente ofendida quando eu vejo determinadas fotos da presidenta Dilma Rousseff circulando na internet. Ofendida não por questões políticas, mas pelo fato de ser mulher e ficar fragilizada com demostrações de puro machismo. A última delas foi uma imagem do ex-presidente Lula (vestido) e Dilma (nua), em uma montagem de extraordinário mal gosto e desrespeito. Por trás da ideia aparente de chacota política está o discurso do machismo. Em que a mulher sempre será subjugada ao homem, em que a mulher tem que estar despida, em que a mulher é a mais sacaneada, da forma mais pejorativa de todas. Independente do que achamos da Dilma Rouseff, do PT ou do seu governo, nós, mulheres não podemos compactuar com esse tipo de machismo "velado" que além de não acrescentar em nada no debate político, estimula o desrespeito à uma pessoa que acima de tudo é uma senhora de 66 anos, e uma mulher.
Afinal, esses "brincalhões" aí do Facebook não costumam colocar homens políticos nus para fazer piadinhas infames não é mesmo?


Lembrei, então, da imagem de Yoko Ono e John Lennon (acima), feita em 1980 por Annie Leibovitz, capa da Rolling Stones. Nela, apenas John está nu. É como se ele nos dissesse: "Eu me despido para Yoko, este é o nosso relacionamento, assim é o nosso amor, e eu não tenho problema nenhum com isso". É uma imagem linda, que demonstra a cumplicidade do casal no seu mais profundo íntimo. E para mim, ainda representa mais do que isso: representa que esse ideal de "macho alfa" não nos serve mais para nada.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Um louco abre a porta e diz:



Pequenos prazeres. Pequenas conquistas. Momentos que ficam guardados na nossa memória.
A fotografia registra quase tudo. Menos o cheiro e ânsia de vômito dos drinks mal tomados misturados com coca-cola.
Quando tá tudo certo de um lado. Tá meio errado do outro.
“A felicidade é uma questão de percepção”, ouvi isso em algum lugar por aí. Fico me perguntando, o que isso exatamente quer dizer?
Acho que não depende disso ou aquilo, mas daquilo tudo junto e ao mesmo tempo.
Olho você dormir e fico feliz por um momento.
É engraçado pensar que há mais de três anos que te conheço.
E poucas vezes te agradeci por isso direito.
Mas isso, não é uma carta de amor.
É sobre nós, eu, eles e você. E sobre o que a gente vai fazer no próximo fim de semana?
É sobre, e agora? Eu não tenho grana!
É sobre, o que vamos fazer da nossa vida? E eu da minha, que não tenho espaço aqui.
Às vezes acho que uma hora ou outra tudo vai mudar.
Que vou virar astronauta, mochileiro ou cineasta popular.
Queria lembrar o que eu queria ser quando eu era criança.
Eu tinha uma brincadeira, meio esquisita, em que eu era dona de uma loja que vendia quadros, eram obras de pintores famosos.
Eu não pintada nada, apenas vendia os quadros. Mas eu pintava em outras brincadeiras também.
Hoje em dia, meus desenhos são péssimos.
Pinto o sete e olhe lá.
Mas que besteira tudo isso, eu queria fazer um texto e vomitei pedaços de sonhos, pedaços de mim, dele, pedaços de frustrações e alegrias.
Que nem para mim tem tanto sentido. Mas vai, finge que é poético, finge que é bonito.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Um pequeno registro de SP



Quando eu era adolescente li um livro chamado “O Homem que Conhecia As Mulheres”, do escritor paulistano Marcelo Rubens Paiva. A obra é dividida em três partes, sendo que a última é uma homenagem a São Paulo intitulada “I Love SP”. Foi daí que surgiu uma vontade grande de conhecer São Paulo, mesmo sabendo de tantas coisas ruins que aconteciam na cidade, como congestionamentos quilométricos, violência, drogas e etc.

A oportunidade surgiu com o Lollapalooza desde ano, que aconteceu no Jockey Club, como todo já mundo sabe. O festival trouxe a minha banda favorita (ainda em atividade), e por isso, eu fiz um super esforço para ir lá conferir a apresentação dos caras do Pearl Jam e da performance impecável do Eddie Vedder. Fora os outros shows de bandas que eu gosto muito como Franz Ferdinand, Queens Of The Stone Age, The Hives, Black Keys, Two Door Cinema Club e outras. Além das nacionais Vanguart e Criolo.

Cheguei a São Paulo na quinta-feira, dia 28, véspera do feriado da Semana Santa. Aterrissei no aeroporto do Guarulhos exatamente as 5h30 e fiquei por lá bestando até amanhecer, na companhia do meu namorado, que foi se aventurar comigo. O tempo estava ótimo, fazendo um friozinho de 15 graus, uma sensação muito agradável para quem esta acostumada com o calor de Belém.

A missão era chegar ao centro de São Paulo de metrô. Pegamos um ônibus, descemos na estação Tatuapé e partimos em direção a República. No caminho avistamos a cidade e prestamos atenção nos prédios gigantes, nas construções, fábricas e favelas. Achei a cidade bonita e, além disso, limpa comparada a Belém. Aliás, é triste falar isso, mas parece que toda a cidade é mais limpa que Belém. Ok, mas pegar o metrô de São Paulo foi assustador, ao mesmo tempo emocionante. As pessoas andavam muito rápidas e não olhavam umas para as outras. Parece que as pessoas lá estão sempre apressadas e indo para um lugar muito importante.

Compramos bilhetes, só que não sabíamos nem como passar na roleta, foi deprimente porque tivemos que perguntar como era... Entramos no metrô finalmente e foi quando eu participei da cena mais assustadora de toda a minha vida: uma multidão de pessoas entrando no metrô ao mesmo tempo, e nós espremendo completamente. E eu que pensei que o ônibus perto de casa era lotado! Só que pelo menos em São Paulo faz frio e não ficamos suando que nem um burro de carga.  

Chegamos ao hotel e logo saímos para conhecer os lugares mais próximos. Conheci o Teatro Municipal, o shopping Light, a Praça Ramos, a Igreja da Sé, e o mais legal de todos: Galeria do Rock. Um shopping com cinco andares só com artigos de rock de todos os estilos, lojas de tatuagens, discos e vinis. Seria mais legal ainda se eu tivesse grana para comprar coisas por lá! São Paulo é bonita. Tem prédios enormes. Uma arquitetura antiga que inebria todo o centro histórico e que eu fiquei completamente apaixonada. Tinha vontade de ficar um tempão olhando aqueles prédios, como se fosse uma fotografia.  

Tive a experiência de andar pelo maior centro comercial do Brasil, que é a 25 de março. Rua comandada por muitos asiáticos. Foi meio estressante andar por lá porque tem muita gente gritando no seu ouvido e você tem que perder o dia inteiro ali comprando coisas. Também fui à rua Santa Ifigênia, o paraíso das coisas eletrônicas e lá o meu irmão (com a minha ajuda) comprou uma preciosidade, mais conhecida como “meu sonho de consumo”: uma Cannon T3i. O preço estava bem mais barato que em Belém (óbvio).

A noite de SP é mais encantadora ainda. A rua Augusta é enorme e cheia de bares e boates. Fui a uma festa na casa de show “Beco da Augusta”, que era open bar e por isso tinha muita gente. Pegamos uma fila enorme para entrar. Sampa também é a cidade das filas. Tem muitos outros lugares que dá para se divertir em Sampa como a Vila Madalena, mas não cheguei a conhecer. E a Avenida Paulista? Nossa, muito linda.

A impressão que eu tive é que São Paulo tem tudo. Uma cidade que ferve cultura, cinema, teatro, música. Pareceu-me também a capital do rock’n roll, com muitas pessoas tatuadas e estilosas, não sei se isso era por causa do Lollapalooza.  SP não tem identidade, mas isso já identifica muita coisa. SP também é a capital dos mendigos, pedintes, pichações... 

Parece que a cidade paga um preço por ter tudo. Esse foi o meu registro de cinco dias que estive em São Paulo. Espero muito voltar por lá mais vezes. E agora sim, posso dizer que concordo com o que meu querido escritor Rubens Paiva disse: São Paulo é pai d’égua mesmo! Não exatamente com essas palavras... 


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Lugar(es)


Moro no mesmo lugar há mais de dez anos. Antes minha residência era no centro da cidade, na Generalíssimo Deodoro, depois mudei ainda criança para um lugar completamente novo, e considerado "distante". O bairro foi desmembrado do Bengui para tornar-se Mangueirão (próximo ao principal estádio esportivo da cidade de Belém). Meus pais compraram um apartamento em um conjunto chamado Xavante II, que é localizado dentro de uma área chamada Catalina.

Por causa da mudança tive também que trocar de colégio, de hábitos e de amigos. Mas a adaptação foi até rápida. Eu gostava da minha escola, o Madre Celeste. No Catalina também construí amizades, que tenho até hoje. Foi lá também que me transformei de uma garotinha pateta, em uma adolescente roqueira e agora adentrando a fase adulta (ainda pateta, infelizmente). Foi lá que eu descobri o quanto o transporte público da cidade é asqueroso, e acho que adquiri uma falta e paciência nociva por causa disso. Quer dizer, nenhum ônibus que passava próximo a minha casa prestava até que, este ano, surgiu um tal "Icoaraci Centro" que atravessa a Avenida Independência (Centenário), e tornou a minha vida um pouco melhor. Fico me perguntando que mel é esse que tem Icoaraci? Parece que tem transporte todo tempo para aquelas bandas. Só lá também.

A Avenida Independência beneficiou várias pessoas que tem carro, porque é um trajeto que te leva ao centro da cidade sem precisar passar pela monstruosa Almirante Barroso. Mas para os pedestres e pobres que andam de ônibus é um perigo. Os carros passam em altíssima velocidade, não respeitam o limite de 60 km de velocidade, e muito menos a faixa "cidadã". Sendo que uma das faixas foi colocada em um lugar completamente inóspito, que ninguém passa. E o lugar onde o fluxo de pessoas que atravessam é grande, não tem nada, sinal de trânsito, passarela, nada. Depois que ocorreu uma série de mortes, sendo a última, a de um jovem trabalhador moto taxista, atingido por um carro, a CTBEL agora marca presença por lá. Coisa de Brasil, que só funciona depois da tragédia.

Transformação


É engraçado como a cidade muda. Não existia a Independência quando me mudei. Ela foi construída,  duplicada e criaram túneis e viadutos. Ou seja, o lugar que eu morava antes não existe mais, dando vida a outro lugar, completamente diferente. Agora está sendo feita a construção de um Shopping Center na mesma Avenida, que se chamará Bosque Shopping Belém. Dizem que será o mais chique da cidade.

Posso dizer também que o lugar onde moro é sinônimo de um paradoxo. Quando cheguei aqui, ao lado do meu conjunto tinha um campo enorme, como se fosse um "areal". Lá o meu irmão jogava bola e eu atravessava para comprar pão, na padaria do outro lado. Depois esse campo foi invadido, e virou uma realidade muito comum de Belém: uma invasão conhecida como Pantanal (não me pergunte o porquê). Nunca foram lá tirar ninguém, e agora o lugar tem casas de alvenaria, ruas, postes e tudo mais. Depois disso, em frente ao meu conjunto, criaram um residencial, onde moram pessoas bem diferentes dessas lá do Pantas. Da janela do meu apartamento avisto as casas luxuosas, enormes e modernas do Água Cristal, um condomínio fechado, que deve ter todo o lazer que alguém pediu a Deus.

Vivo em um lugar que tem vários lugares dentro. Um lugar que anseia por esperança, que cresceu da forma que deu, que tem pessoas humildes, que tem violência, mas que também tem pessoas honestas. Outro lugar de gente classuda, um lugar de gente que a gente nem vê, de pessoas que se aprisionam em uma "cadeia de luxo" e pertencem a elite torpe dessa cidade. Este é o lugar que eu moro, e que representa muito bem as transformações desta Belém que muda, aos trancos e barrancos, privilegiando sempre quem tem mais grana, e quem sabe, os que não têm. 

Aí, lembro aquela música do Engenheiro do Hawaii que diz assim "Nas grandes cidades de um país tão violento. Os muros e as grades nos protegem de quase nada. Mas o quase tudo, quase sempre é quase nada. E nada nos protegem de uma vida sem sentido". (Muros e Grades). Acho que diz muito. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mudança de estação



Tem roupas amontoadas no canto a quarto. Ela não quer arrumar. Faz tempo que seu quarto está de pernas pro ar. Está tão bagunçado quanto sua própria vida. Ela não sabe como se ama mais. Esta tentando aprender, mas não esta dando muito certo. Ela passa cinco minutos olhando para o teto. Tenta pensar em alguma coisa produtiva para fazer da vida, sem sucesso. Fala ao telefone, briga com ele, desliga, e pensa na sua merda de vida. Esta entediada demais para falar com alguém. O teto talvez a entenda melhor do que ninguém. Fecha as cortinas da janela. Não quer ver a luz do dia. O sol geralmente agride seus olhos. Gosta mesmo da noite. Porque é na noite que a diversão acontece. Precisa sair e respirar. Mas ainda é meio dia, e só de olhar para fora o calor do sol queima a sua pele. Nem ela sabe dizer se está triste ou alegre. Tem realizações acontecendo, mas fatos que interrompem sua felicidade plena. Uma dor martela sua cabeça. Não consegue dormir, nem relaxar. Precisa sair do mesmo lugar, precisa viver. Precisa se desprender. Precisa terminar seus projetos, precisa começá-los. E terminar de ler os livros da escrivaninha e sair da internet. Precisa ir pra academia e fazer mais sexo. Precisa voltar a ser menina. Na verdade, precisa agora, finalmente, começar a ser mulher. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Coincidências de Amor


Para aqueles que plantaram sorrisos na terra


Tem coisas na vida que não sabemos se tem alguma ligação lógica entre si. São eventos que de tão coincidentes achamos que querem nos dizer algo. Bom, eu não sei até que ponto essas ligações podem nos dizer alguma coisa, só sei que estou muito emocionada neste janeiro.

No próximo dia 24, é o dia da minha colação de grau em Jornalismo. Uma realização que demorou quatro anos de universidade, e muito tempo de estudo. É, sem dúvidas, um dos momentos mais esperados da minha vida. Mas esse dia também será de lembranças marcantes. É o dia em que completam sete meses em que o meu primo ‘Lorico’ deixou esse mundo. É o dia em que o coração apertará mais forte.

Por ironia da vida (ou da morte), um dia antes, no dia 23, era o aniversário do meu primo, que caiu no mesmo dia que se completa um ano, que outra pessoa muito importante também foi embora, o meu querido amigo Fernando Fernandes. Dois dias marcantes para mim, é claro.

O Fernando, por sinal, era acadêmico de jornalismo, e se formaria no mesmo ano que eu se estivesse vivo. O Fê era um comunicador nato, falava pelos cotovelos, era extremamente extrovertido e brincalhão. Já o meu primo não, era reservado e tímido, mas apesar disso, tinha um humor sagaz. Até hoje lembro as coisas engraçadas ditas por ele nas poucas vezes em que ele falava.  

Meu amigo Fernando e o meu primo Lorico não se conheciam. Provavelmente nunca tiveram um contado em vida. Mas agora diante de tantas coincidências os imagino lá em cima, ao lado de Deus, de forma plena e em paz. Provavelmente são amigos no céu, devem ter se falado porque conhecem uma pessoa em comum. Imagino os dois lá, o Fernando falando pra caramba e o Lorico só ouvindo com aquele ar de gente blasé.  

Acho que no dia da minha formatura eles estarão lembrando de mim, assim como eu estou lembrando deles todos esses dias. E pensando que, eu realmente queria que eles estivessem aqui nesse momento. Como disse Nelson Rodrigues certa vez: “Deus está nas coincidências”. 

A minha formatura é dedicada a eles, que passaram pelo mundo plantando sorrisos, cada um de sua forma.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O FIM


Trabalhei quase três anos em um jornal e cheguei a ser contratada neste mesmo veículo de comunicação. Mas escolhi sair de lá, por questões pessoais e empregatícias. Voltei para a condição de estagiaria em outra empresa de maior produção e agora me vejo saindo dela. Despedindo-me, sem mágoas. Feliz porque apesar dos erros e limitações, dei o meu melhor e fiz um bom trabalho. Tive a oportunidade de conhecer o processo de produção, o dead line, a vida e a rotina de um jornalismo diário. E quem sabe, eu não volte ou o futuro esteja guardando uma coisa melhor para mim. Um futuro que se defini a partir das minhas escolhas e possibilidades.

Digo isso, porque geralmente temos medo do fim. Eu também tenho. É natural. O fim de um relacionamento, por exemplo, sempre é tenso. Mesmo que aquela pessoa já não esteja te fazendo bem, ficamos pensando nos momentos bons que nunca mais teremos, ficamos pensando que será o último beijo, o último abraço e último aperto de mão. Será que encontraremos alguém melhor? Refletimos. O fim de um trabalho tem esse sentimento em comum. Será que encontraremos algo melhor? Será que eu fiz as escolhas certas na vida? Como não dá pra saber, temos que arriscar.

O fim da universidade é uma felicidade. Uma conquista. Mas apesar disso é também um momento de saudade. Quando vamos de novo, depois daquela aula de sexta-feira, beber no bar ao lado? Ou quando vamos sentir aquele entusiasmo do início de curso, aquela coisa de calouro clássico? Mas não deixamos uma coisa de lado para construir outra coisa. Quando eu saí do ensino médio, senti muita saudade dos meus amigos e das vezes que escutava rock no fundo da sala, enquanto estava rolando aquela aula chaterríma de química.  

Ainda ontem, travei uma discussão em uma mesa de bar, sobre as “fases as vida”, e como sempre pensamos que o passado foi melhor do que é o presente. Concluímos que cada fase tem que ser aproveitada com muita paixão, com muita vontade, para que quando chegar o “fim”, daquilo que realizamos, possamos traçar um começo ainda melhor. Se passar no vestibular é uma iniciação, chegar ao fim da universidade é um encerramento de um ciclo e um enfrentamento para vida que, a partir de agora, você seguirá sozinho. Uma realidade difícil de pensar, mas que é ao mesmo tempo, excitante. Como disse Raul Seixas certa vez: “Sempre é tempo de começar tudo de novo”.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Eu nunca quis ser jornalista

Eu nunca quis ser jornalista. Mas desde que entrei no curso, eu nunca quis não ser. Antes, odiava a mídia. Achava manipuladora, mentirosa, falsa e covarde. Mas sabe aquele amor bandido que nasce da implicância? Criticava tanto a mídia, que queria ver porque ela era assim, tão alienante. Eu li uma vez do escritor e intelectual Paulo Freire, que se você quer mudar de verdade alguma coisa, integre-se à ela. Sonho besta esse não? Querer mudar alguma coisa, quanta pretensão! Mas na verdade é isso mesmo, temos que pelo menos fazer nosso serviço direito e melhorar o que esta a nossa volta. A Universidade me enriqueceu neste sentido, não aprendi a fazer jornalismo lá, isso não. Tu só aprende a fazer jornalismo e entender os processos midiáticos na prática. Não adianta. Mas a Universidade te abre a mente, mesmo que alguns achem que ela não serve para nada. Sim, uma pessoa muda muito suas concepções depois que sai de um ensino superior. 

Hoje me vejo prestes a me formar em jornalismo, uma profissão tão complexa de lidar. É um sentimento dúbio de amor e ódio. Hoje eu nem sei o que o futuro me espera, trabalhei em dois jornais impressos, uma assessoria e um site. Por muitas vezes tive vontade de desistir e me perguntava: o que eu estou fazendo aqui? Mas daí, o jornalismo cultural me flechou e já era. Eu sempre brinco que validei meu atestado de pobreza por três vezes: primeiro que escolhi ser jornalista, segundo que me encaminhei para o jornalismo impresso e terceiro que cambei para o jornalismo cultural. É  muita burrice para uma pessoa só. Ou seja, não gente, provavelmente vocês não vão me ver na televisão. Ok? 

Mas independente disso, eu tenho um sonho! (I have a dream!). E esse sonho é uma coisa que é quase genética, que é seguir a área da docência, assim como meus pais e boa parte da minha família. Vou ter que percorrer um bom bocado ainda para realiza-lo. Mas sonhar é de graça, então vamos lá. Pronto, agora vocês vão dizer que eu assinei meu atestado de pobreza quatro vezes. Mas é isso mesmo. Amor é assim, quando você é picado por ele, nada há de se fazer. Só peço uma coisa para vocês, meus poucos leitores. Desejem-me sorte. Eu vou precisar. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Buscopan

Estou definhando, caindo, chorando... Não consigo viver, não consigo morrer, não consigo amar. Não consigo me levantar, traz agora o meu buscopan para cá.
Não consigo comer, nem respirar, nem ver o carnaval passar. Nem consigo estudar, nem dançar, nem namorar, nem me animar. Traz, por favor, meu buscopan pra cá. 
Não consigo ficar bem, nem curtir a "vibe", nem ficar de boa, nem sair para passear. Não consigo ser legal contigo, não consigo te amar, não consigo dormir, nem acordar. Não esquece - eu te peço - de trazer eu meu buscopan para cá. 
Estou presa em mim mesma, sedenta de saúde e ar. Estou meio tonta, meio down, meio sem pensar. Estou doente, maluca, molenga. Este mês não quero nada, nem água, só quero um remédio para essa dor passar. 

sábado, 15 de setembro de 2012

Tiê e a nova safra da música alternativa

Tiê - Teatro Gasômetro, setembro de 2012
A primeira vez que eu ouvi Tiê foi uma música chamada "Passarinho", apresentada por uma amiga minha. Essa canção por sinal, foi a que a cantora abriu seu show em Belém na noite de ontem, dia 14, no Teatro Gasômetro. Na época, achei chata, lenta demais, sem graça, e não me dei ao trabalho de prestar atenção na letra direito. Estava ouvindo mais rock'in roll e aquilo não fazia sentido nenhum para mim. Por isso, deixei a Tiê pra lá, e não me interessei. 

Depois ouvi por aí uma música chamada "Sweet Jardim", que diz mais ou menos assim, "plantei no jardim um sonho bom, mostrei meus espinhos pra você..." Uma linda canção que combinou perfeitamente com a voz adocicada da cantora. Fiquei triste, aliás, porque ela deixou a música fora do repertório do show. Enfim, certo dia ganhei de presente em um CD a música "Dois", que poderia embalar o amor de qualquer casal. 

Ontem, ela tocou pela primeira vez em Belém, por convite da Secult, para divulgar o seu segundo álbum: "A coruja e o coração". Depois de fazer uma matéria sobre o show para o jornal O Liberal, resolvi me aventurar no sentimentalismo da Tiê. Grávida de seu segundo filho, ela foi a mais adorável possível. Depois de duas músicas sem dar boa noite ao público (até pensei que ela ia dar uma de Bob Dylan), Tiê começou a se comunicar a se mostrar para os belenenses. E se mostrou uma verdadeira "Stand up comedy". Ela tirou onda com o Michel Teló, dançou "Eu quero Tchu, eu quero Tchá", fez graça com ela mesma quando fez a dancinha do "seu boneco". Fez piada com o calor de Belém, contou momentos engraçados com o marido, brincou com a platéia. Foi adorável e linda. 

Tiê tocou a música dos seus dois álbuns, entre elas: "Dois", "A bailarina e o astronauta", "Te quero" e terminou com a lindíssima "Assinado Eu". A cantora também tocou as três versões que integrou o seu novo CD, "Mapa-Mundi", do talentosíssimo Thiago Pethit, que foi super elogiado por ela no show. Essa música inclusive é mais bonita na voz dela, do que na do Thiago. Também cantou "Só sei dançar com você", da não menos talentosa Tulipa Ruiz. Mas o ponto alto da noite foi quando ela contou a inusitada versão que fez para "Você não vale nada" (mais eu gosto de você) - hino do forró universitário. 
Ponto alto da noite: Tiê cantando "Você não vale nada"

Com uma versão mais elegante e meio "tango" do hit grudento, Tiê convidou as cantoras paraenses (que abriram seu show) Nana Reis e Juliana Sinimbu (só faltou a Joelma Kláudia, que teve que ir embora antes), para acompanha-la. Também pediu a ajuda para a platéia, que cantou em coro "você não vale nada mais eu gosto de você". Tiê tirou onda: "Bora lá gente, todo mundo tem um..(uma pessoa que queria dizer isso)". Acabou o show e as pessoas saíram satisfeitas. O chato, foi que ela (grávida) teve que fazer dois shows seguidos - não sei porque dessa ideia absurda - e para completar, uma pessoa do Teatro Gasômetro ficou expulsando as pessoas quando terminou o primeiro show.

Elogios a parte, o que importa é que a Tiê representa uma nova fase da música alternativa e paulistana. Ela, junto com o Thiago Pethit e Tupila Ruiz, criam juntos, escrevem letras, fazem grandes discos, representam um cenário novo, de jovens elegantes que fazem canções universais, que não representam nada, além deles mesmos e dos sentimentos dos próprios seres-humanos. Nesse mundo ainda acrescenta-se os mato-grossenses da banda Vanguart, que de todos é o meu preferido, e o Cícero que com as suas "Canções de apartamento" embalou o momento em muitos apartamentos por aí. 

Acho que quem fala que a música boa morreu, esta precisando olhar com mais atenção para o cenário. Pois, qualquer um desses artistas vale a pena ir aos shows, baixar músicas, comprar discos e se apaixonar. Para conhecer mais sobre a Tiê: http://www.tiemusica.com/


Tiê, neste show intimista, estava acompanhada apenas por seu guitarrista  

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Toda história de amor daria um livro


Na virada do ano de 2009 para 2010 passei pela primeira vez o ano novo longe dos meus pais. O cenário era o melhor possível: Algodoal, em companhia do meu melhor amigo, que considero como a um irmão. Além de outras pessoas legais que estavam por lá. Lembro que na época senti uma sensação de liberdade como nunca antes. Era a primeira vez também que me sentia tão livre. A viagem foi maravilhosa e inesquecível. 

À meia noite daquele novo ano que chegava, fiz aquele velho ritual de pular as ondinhas. Foram três pedidos: o primeiro era conseguir um trabalho, mas especificamente um estágio em Jornalismo, o segundo era paz e saúde para minha família, meus pais e meu irmão (eu sempre pedia esse). E o terceiro era ficar solteira durante aquele ano, não me apaixonar por ninguém (juro que eu pedi isso). Este último pedido, se referia ao fato de ter vivido alguns conflitos no ano anterior, e pensava naquela época, que eu era inconstante e louca demais para entrar em um relacionamento. Outras coisas estavam em jogo também como querer "aproveitar a vida", "conhecer pessoas novas", e "ser livre". Essas bobagens que uma pessoa pensa aos 18 anos. 

Voltei à Belém e logo no primeiro semestre consegui um estágio em jornalismo, minha família também não contraiu nenhuma doença grave e estavam em paz. Mas o terceiro pedido, não deu nenhum pouco certo, foi por água abaixo, foi completamente diferente do que eu imaginava. Em fevereiro me apaixonei perdidamente, em abril entrei de cabeça em um relacionamento sério, e continuo nele até hoje, dois anos depois. A conclusão que eu tirei dessa história é: meninas que estão atrás de um amor, façam pedidos para ficarem solteiras, funciona. 

O mais engraçado de tudo isso na verdade, é que nunca fui tão livre como naquele ano, fizemos tudo juntos. Encontramos amigos, fizemos festa, fomos a festa, shows, caímos na noite, fomos ao cinema, dançamos, compramos uma barraca, acampamos, fizemos novos amigos, juntamos nossos amigos, brincamos, fomos ao cinema, ao teatro... Descobrimos um ao outro. E pasmem, continuamos fazendo tudo isso até hoje, com uma diferença: estamos mais íntimos, é claro.

Sempre me falavam que depois de algum tempo o namoro entrava na rotina, ficava chato, sem graça e que era preciso ter cuidado para que a relação desse certo. No nosso caso, soubemos aproveitar cada fase, é claro que já brigamos feio, em particular ou em público. Já nos agredimos verbalmente, já dissemos coisas um ao outro que não queríamos, já nos arrependemos, já ficamos sem nos falar (não por muito temo, mas ficamos).

Eu não sei direito o que deve ser feito para um relacionamento dar certo, aliás, sempre achei que eu tive muita sorte por encontrar uma pessoa que me aturasse, porque se tem um coisa que eu tenho é defeitos. Mas aí, ele também quase estragou tudo quando nos conhecemos, me fez perguntas indigestas e no nosso primeiro encontro fez uma coisa sem noção que é melhor nem falar, mas que também não importa. 

O que eu sei, é que certo dia fui a um festival de rock e lembrei de um carinha que estudou comigo quando eu tinha cinco anos de idade (é cinco anos!). Daí encontramos fotos dessa nossa época, e ficamos encantados um pelo outro, e nos encontramos uma, duas, três... E hoje ficamos planejando quanto filhos vamos ter, quantos cachorros, como vai ser a nossa casa, como vamos fazer para conseguir grana, para comprar a nossa casa, que lugares vamos viajar, e o que vamos fazer para emagrecer (esta última é a mais difícil). 

Eu sempre quis escrever um livro sobre essa nossa história, não por achar que ela seja mais especial do que as outras histórias de amor. Mas por achar que toda a história de amor daria um livro. Quando conheço um casal, sempre tenho vontade de perguntar: "Como foi que vocês se conheceram mesmo?". Alguns foram pela internet, outros na praia, no carnaval, no trabalho, na faculdade, na academia, na rua, ou no jardim de infância (como no meu caso). Não importa. Uma história de amor é sempre bonita e sempre deve ser contada. 

Pela apaixonada Lennon. 

;*

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Encruzilhada


Tem vezes que nos encontramos em uma encruzilhada, e temos que escolher entre dois caminhos tortuosos, em que nem um deles parece ser uma boa opção.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. É mais ou menos isso, um pouco "piorado".
Tão duro e cruel que é difícil encontrar uma saída, como em um jogo de xadrez, é preciso ter estratégias.  
É preciso ter jogo de cintura. É preciso saber jogar as peças certas. Tem vezes que precisamos escolher ou deixar passar. Mas deixar rolar pode ser pior e escolher pode ser errar.
O que fazer, quando não sabemos o que fazer? Não fazer nada também é uma escolha. 
O tempo passa, a vida corre. E no caminho existe erros. Que podem ser nossos ou não. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A falta que faz

Falta pássaros sobrevoando a minha janela
Sobra fumaça
Falta identidade, vontade
Falta tempo
Falta espaço pros carros passar
Falta compaixão, coletividade
Falta história para contar
Falta modéstia
Falta imprensa séria
Falta segurança
Falta eu e você marcando uma bela dança
Falta gratidão, perdão
Falta saúde, liderança...
Falta solução
Falta educação. Sobra greve
Falta gente que não jogue lixo no chão
Falta premiação, medalha de ouro
Infraestrutura
Falta criatividade textual, imaginação
Falta gente legal
Falta Saúde. Sobra greve
Falta governo. Sobra corrupção
Falta às sextas-feiras
Falta carnaval, papeis picados e gente cantando o refrão
Falta fé. Sobra religião
Falta amor. Sobra sexo
Falta comida. Sobra obesidade
Falta gente nova, maluquice, revolta 
Falta até uma boa memória, para lembrar tanta coisa que falta

sábado, 4 de agosto de 2012

Salinas em preto e branco

Orla do Maçarico
A primeira vez que fui em Salinas foi com um grande amigo chamado Fernando Fernandes. Amigo este que não esta mais aqui no mundo visível. Por causa disso que me emocionei bastante desta vez em que estive lá, e passei pela frente do hotel que nos hospedamos, em frente a praia do Maçarico. Foi só eu me aproximar do lugar que comecei a chorar lembrando dos momentos que passamos juntos. Lembrando também que quase fomos assaltados lá. Salinas como da primeira vez, continuava violenta e estava vazia, mas porque chegamos na segunda-feira.

Os dias foram passando, e logo as pessoas que estavam dividindo o mesmo teto comigo, e com meu namorado foram se entrosando. Pessoas doces e educadas, que tive o prazer de conhecer e me tornar amiga. Foi a primeira vez que senti um tédio tão prazeroso, de não ter absolutamente nada para fazer, que não fosse dormir, tomar banho de piscina, jogar bilhar, bola... Estava precisando me afastar um pouco do mundo real, diante de tantas tragedias que vem acarretando a minha vida ultimamente.

Enfim, a visão que as pessoas tem de Salinas é a praia do Atalaia. É a pior visão possível já que a insanidade do ser humano chegou a tal ponto de levar o carro até a praia e estrupar a natureza tão bela, com buzinas e pneus. Fora toda a sujeira que contamina as águas e a areia branca. E as patricinhas e os mauricinhos com seus corpos sarados achando aquilo tudo lindo e normal. Deprimente.
Congestionamento na praia do Atalaia
Praia da Corniva
Mas, por sorte, Salinas não se resume a praia do Atalaia. A praia da Corvina, por exemplo, é muito bonita, tranquila e fechada para carros. A orla do Maçarico também é muito charmosa, a noite tem várias opções de coisas para ver, lojinhas, comidas etc. Fora o super vento gostoso e as clássicas fotos que dá para fazer na tartaruga, no peixe, garça, entro outros animais em exposição na orla. Isso tudo, claro, em época de férias. Férias é assim, a gente vê um monte de coisa errada, mas devemos saber aproveitar. Ainda mais quando se está em uma casa privilegiada e com pessoas gentis.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Luscofusco

Volta. Não estou interessada em nenhuma sabedoria, texto ou sintonia.
Volta. Não estou interessada nessas meras coisas do dia a dia.
Nada. Nada vai mudar o fato de não ter feito o que eu deveria.
Teimo. Em acordar todo dia, com os pés pisando no chão sem ter a mínima noção para onde vou e pra onde vão tantas pessoas que eu insisto em desperdiçar, que eu insisto em me apegar em vão.
Volta amor. Que eu tive um pesadelo a meia hora, sobre o futuro que me espera lá fora, mas que eu não estou nenhum pouco interessada em temer.
Volta que o dia esta quase para nescer.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Apelo à paz

Não é fácil superar a dor de uma despedida eterna. Não é fácil para quem fica ter que lembrar os momentos, as histórias, o rosto... E quando essa vida é tirada assim, tão drásticamente, tão cruelmente, é pior ainda.
É a segunda vez que vou a um velório este ano, no mesmo lugar, de pessoas que eu adorava. Os duas pessoas vitímas da violência urbana, dois jovens, que tiveram sua morte exposta na TV. É difícil falar ou escrever, mas é preciso.
Fico me perguntando, o que fazer diante de tanta violência? Porque a vida que se foi não volta mais, o que fica é apenas a saudade. Acho que temos que reciclar essa sociedade, nós mesmos, os nossos pensamentos, as nossas atitudes... porque já chega de tanta dor e angústia. A próxima vez pode ser qualquer um de nós, e é muito triste pensar assim.

Muito obrigada, por todas as pessoas que prestaram solidariedade para eu e minha família. É nessas horas que percebemos quem realmente se importa...

terça-feira, 26 de junho de 2012

Triste demais


"Se o perigo é alto
Não dá pra se ter lazer
E quando preso no carro
Me resumo a sentir a vida (aaah-ah!)
Triste demais pra televisão
Se o perigo é alto
Não dá pra se ter lazer
E quando preso no carro
Me resumo a sentir a vida (aaah-ah!)
Triste demais pra televisão
Me resumo a sentir a vida
Triste demais pra televisão
Eu ando sonhando com o tempo,
Mas nunca vou poder saber
Se o sonho é só um momento
Me resumo à sentir a vida (aaah-ah!)
Triste demais pra televisão
Me resumo à sentir a vida (aaah-ah!)
Triste demais pra televisão"
(Mombojó)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Esperar

(@raissalennon)

Nada me deixa com mais raiva do que esperar. É claro que existe muitas coisas ruins além disso, mas o que me afeta diretamente é o ato da "espera". Isso é um defeito torpe e perigoso, já que constantemente lhe damos com situações diárias de espera. Esperar um ônibus, esperar alguém, esperar o resultado de uma prova é comum na vida cotidiana.

O meu caso é complicado, pois minha raiva é excessiva. Por isso, costumo pesquisar sobre essas coisas, porque acho que tenho algum tipo de transtorno psicológico. Alguma coisa do tipo "transtorno de ansiedade". A ansiedade por sinal é um dos males da vida moderna, da correria do dia a dia, do mundo tecnológico e cheio de coisas para fazer.

Acho que hoje em dia - do jeito caótico que o mundo se encontra - "todo mundo" tem algum problema desse tipo. Acho que carrego em mim o mal da pós-modernidade, sabe? Quero tudo rápido, tenho tics nervosos, como rápido, entre outros fatores. Teve casos que eu chorava de raiva por está esperando alguém ou alguma coisa. Isso acontece porque as pessoas não conseguem mas esperar o processo, e sim,  o resultado.

Acho que as pessoas que são ansiosas demais tem que encontrar alguma válvula de escape para conseguir segurar a onda. O ideal para casos como o meu, é fazer um esporte, por exemplo, o ioga também é uma boa opção. O problema é que nunca tenho tempo. Ou nunca acho tempo. Ou simplesmente não quero ter tempo, porque quando não estou trabalhando e estudando, a única coisa que eu quero fazer é dormir ou assistir TV.

Enfim, a prosa é longa. Mas quis aqui relatar uma coisa minha, porque a única coisa que não me cansa de fazer é escrever. Esse texto foi escrito enquanto eu estava em um desses ataques de ansiedade. Me ajudou muito. É isso.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Vida de escritor


(@raissalennon)

Parei. Olhei para a página em branco e ela olhou para mim. Me desafiou na cara dura. Um monte de informação necessária vinha na minha cabeça. Tinha que escrever logo. O prazo estava terminando para entregar todos aqueles escritos. Queria ser um pouco criativa, mas também sem ser clichê. A pior coisa em um texto é quando tentamos ser engraçadinhos e não dá certo.

Escrevi uma linha. Apaguei tudo. Uma merda. Verbos sem combinar com contextos. Queria fumar um cigarro e tomar um café, para parecer aqueles escritores antigos e ganhar uma inspiração. Mas não venho gostando de cigarros faz tempo, e do jeito que essa cidade é quente uma coca-cola gelada seria a melhor opção.

A pior desgraça para um escritor são as redes sociais. Tiram todo o nosso tempo, dispersam nossa atenção com todas as banalidades possíveis. A desculpa é sempre a mesma: vou entrar rapidinho para ver se não tem nenhuma informação relevante. Que nada. Como se existisse informação relevante nessas coisas, com raras exceções.

Voltamos ao texto. Nada ainda. Me forcei a tomar um café amargo, conversei um pouco e escrevi palavras desordenadas do assunto. Fui escrevendo quase que brigando com o teclado. Uma página inteira, duas páginas... Volto para a primeira ajeito linha a linha, parágrafo a parágrafo, citação a citação. Pego um livro, leio mais um pouco, saco o papo do ator e volto a escrever. Leio, releio, Leio de novo. Nunca gosto. Mudo as ordens, estico aqui, corto ali.

Leio tudo. Melhorou um pouco. E mesmo que não melhorasse nada, ficaria como está, porque pensar também cansa. O PC desliga com tudo. É a morte, a desgraça e a dúvida: eu salvei? Ligo o PC resmungando Ave Maria, e pedindo a ajuda dos céus. Abro o Word...

Registro automático. Amém. Logo depois começa tudo de novo...

Companheiros